Pai, porque te abates?
Pai, porque quase não sorris?
Os anos lhe pesam nos ombros
Suas pernas já estão cansadas
Quase não faz nada
A cabeça está confusa
Pensamentos antigos teimam em voltar
Coisas que fez e deixou de fazer...
Vontade de viver
As vezes vejo um sorriso pequeno
A boca meio torta, tímida
Talvez uma lembrança de um grande amor
Ou uma boa pescaria
Ou apenas uma ida a padaria
Sei lá... O que se passa na mente
De repente fica serio
Pensativo, olhar perdido
Talvez o medo do futuro
Medo da morte
De sua sorte
Então eu pego nas mãos do meu pai
Aliso... As mãos enrugadas, calejadas...
Penso; quanto trabalhou para o sustento da família
Vou, ligo o radio, coloco um cd
Musica sertaneja do Sergio Reis
Ele bate os pés no chão
Empolgado pelo som
Uma lagrima escorre no rosto
Misturada com o sorriso
Enxugo seus olhos e vejo um brilho lindo
Papai te amo
Falo ao seu ouvido e o abraço
Sinto seu coração batendo fraquinho
Sei que falta pouco
E ele meio rouco
Responde de mansinho
Também te amo querida filha.